O profeta Isaías advertiu acerca do extremo perigo da inversão dos valores: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo”
(Is 5.20). Em sua época a ordem social, o estado moral, ético e
espiritual dos reis de Judá era lamentável. Os monarcas e também o povo
não cumpriam às leis que o Senhor havia instituído. A lei estabelecia os
princípios daquilo que era correto e o que era incorreto. O mal era
caracterizado pela falta de submissão aos princípios divinos. Tal
comportamento causou a derrocada da nação.
Em
nosso tempo o povo brasileiro vive sob pressão dos princípios do senso
comum moderno. A liberdade de expressão e de pensamento tem sido
cerceada pela autocensura do “politicamente correto”. A ideologia
secularista impõe ao cidadão aquilo que deve ser considerado como ideal
para a sociedade. Os valores cristãos, por exemplo, vem sendo
modificados por intensa manipulação do pensamento. A opinião pública é
forjada e manipulada por meio de ampla divulgação na mídia. As artes, a
música e a cultura são subservientes da inversão dos valores. Quando
alguém ousa se expressar de modo diferente ao que é propagado recebe a
alcunha de reacionário e preconceituoso.
Os
vários aspectos da cultura secularista são impostos como se fossem
direitos fundamentais do cidadão. Deste modo o desenfreado incentivo da
imoralidade e da luxúria é celebrado como libertação sexual. A
legalização da prostituição e do aborto é apresentado como direito da
mulher. A homossexualidade e o casamento entre pessoas de mesmo sexo são
abordados como direito civil. Enquanto estas e outras idéias se
alastram, a sociedade e a comunidade cristã rendem-se ao pensamento do
“homem coletivo”. Pensar diferente é o mesmo que suicídio político,
intelectual e profissional.
O
patrulhamento ideológico intimida e faz calar quem tem opinião
contrária. A arma comumente utilizada é a desqualificação de quem faz
oposição. Quem crítica o apelo sexual exacerbado da mídia é
estigmatizado como “falso moralista”. Quem se opõe a prostituição e ao
aborto recebe a designação pejorativa de “fundamentalista”. Quem
discorda da prática homossexual é taxado de “homofóbico”. Qualquer
opinião contrária é considerada como ato de discriminação. Aquele que
insiste em discordar é moralmente linchado pela mídia e pela manipulada
opinião pública. Assim, sob forte intimidação o mal é aceito e tolerado.
Acuada
a sociedade e seus segmentos tornaram-se refém do “politicamente
correto”. Nas últimas semanas, quando o Brasil sediou a copa do mundo,
esta postura prevaleceu durante a realização do mundial. Era para ser a
“copa das copas”. Esta expressão indicava sucesso no campo e fora do
campo. Apontava para a façanha de organizar a copa e de ser
“hexacampeão” dentro de casa. A vexatória derrota para Alemanha e também
para a Holanda expôs a insensatez da euforia criada pela mídia. A
paixão pelo futebol, a seleção e as cores do Brasil serviram de apelo
para o patriotismo a fim de esconder e maquiar as mazelas do país.
Ao
término do evento, que definitivamente não foi a “copa das copas”,
algumas vozes esparsas ousaram romper o “silêncio” e exigiram a
investigação da CBF e de seus cartolas, bem como a aplicação dos
recursos na organização do mundial. Porém, uma parcela da mídia,
comentaristas esportivos, autoridades constituídas, jogadores e comissão
técnica adotaram o discurso do “politicamente correto”. Expressões como
“era só um jogo”, “a vida continua” e “bola prá frente” são argumentos
válidos, porém tendenciosos. Visam coagir a opinião pública e assim
coibir qualquer tipo de investigação. Deste modo a corrupção e os
desmandos no futebol tendem a se perpetuar.
Este
é o retrato daquilo que acontece em outras áreas vitais da sociedade,
tais como, educação, saúde e segurança. É preciso coragem para dar um
basta à corrupção generalizada. Não se pode fechar os olhos para o mal
da inversão dos valores. A sociedade não pode se deixar intimidar pelo
patrulhamento ideológico. Enquanto o mal não for combatido nenhuma
mudança significativa irá acontecer. Nas eleições de outubro, políticos
corruptos não podem ser reeleitos sob a égide do "rouba, mas faz", é
preciso renovar para mudar. O filósofo Edmund Burke (1729/1797) pronunciou a célebre frase: "para o triunfo do mal só é preciso que os homens bons façam nada". E nas palavras do Apóstolo Tiago: "aquele, pois, que sabe fazer o bem, e não o faz, comete pecado" (Tg 4.17). Pense Nisso!
Pr. Douglas Baptista
Fonte: CPADNews.
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