Casarão da Paulista (Foto: Daniela Pereira do
Nascimento/VC no G1 )
Instalado atualmente em uma sala de 110 metros quadrados, dentro da
estação do Metrô República, o Museu da Diversidade Sexual ganhará novas
instalações e será transferido para o Palacete Franco de Mello, um
casarão tombado na Avenida Paulista.
O imóvel passará oficialmente à posse da Secretaria da Cultura após a
finalização dos procedimentos legais, já que o imóvel é tombado pelo
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e
Turístico (Condephaat) e está sendo negociado pelo governo do estado
diretamente com os proprietários. Apesar de a Justiça não ter tomado uma
decisão, a previsão da Secretaria da Cultura é que as obras comecem no
próximo ano.
Localizado no número 1.919 da Avenida Paulista, a nova sede contará com
os 600 metros quadrados do casarão, além de um anexo de 2 mil metros
quadrados de área construída em um prédio de até cinco andares.
“O processo está correndo. A gente abriu um edital porque o imóvel é
tombado pra quem quiser participar do concurso de um projeto
arquitetônico de restauro e um anexo de 2 mil metros quadrados”, disse
Franco Reinaudo, diretor do museu.
Também está previsto no anexo a construção de uma biblioteca, um
auditório com 200 lugares e área de lazer que inclui um café,
restaurante e loja de souvenires. “A ideia é transformar esse espaço em
um espaço de convivência. Por estar na Paulista e por ser um local
emblemático, a gente quer que todo mundo esteja lá”, falou o diretor
sobre suas expectativas. “A gente quer fazer várias atividades, como
cinema ao ar livre no verão.”
O Museu da Diversidade foi inaugurado em 2012 em São Paulo. Além do
Brasil, só existe outros dois semelhantes no mundo, um em Berlim, na
Alemanha, e outro em São Francisco, nos Estados Unidos.
Cerca de 4% dos visitantes que visitam o museu atualmente são
estrangeiros e a expectativa é que o local atraia um número maior de
visitantes, já que ganhará mais visibilidade na Paulista. “O museu vai
criar uma marca bacana de aceitação”, espera o diretor.
Diretor do Museu da Diversidade Sexual Franco
Reinaudo (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Projeto
A entrada principal do museu deve ser pelo antigo casarão para
ressaltar a importância histórica do local. “Ali vamos contar a história
do imóvel, do casarão, da Paulista, até chegar na história da Avenida
sendo usada como palco de movimentos sociais, como a Diretas Já até a
Parada do Orgulho”, disse Franco.
O objetivo do museu é que a história seja contada através de uma linha
do tempo de uma forma interativa com o fio condutor focado no estado de
São Paulo. “Ali [no casarão] a gente começa a falar dessa questão da
diversidade sexual, da comunidade LGBT, contando a história dessa
comunidade, dessas pessoas, da influência dessa comunidade na cultura,
cinema, designer e moda”, afirmou o diretor.
Além da história da comunidade LGBT, o casarão irá abrigar duas
exposições de longa duração. Já o anexo terá um espaço expositivo maior
destinado às exposições temporárias.
O museu também terá um auditório, uma biblioteca com espaço de
consulta, área de exposição, além de área de reposição e restauração de
acervo. “Queremos preservar acervo de personagens importantes ligados à
comunidade LGBT, como o artista plástico Darcy Penteado [pioneiro do
movimento]”. Outro ícone da comunidade gay, Claudia Wonder, deve ter
seus objetos pessoais expostos.
Para abrir as portas do museu em grande estilo, Franco espera trazer a
exposição do Auguste Rodin, famoso escultor francês, sobre a visão do
corpo feminino de um homem e de um gay, para a inauguração, ainda sem
data definida. “Tem uma conversa com embaixador da França, um link
estabelecido”, adiantou ao
G1.
Caso a primeira opção não dê certo, ele pretende fazer uma intervenção
com algum artista gay estrangeiro como Elton John, por exemplo. “A gente
faria uma intervenção contando a história de vida dessa pessoa”, disse
ele. Nomes de personalidades LGBT brasileiras também estão cotados como
dos cantores Cássia Eller, Cazuza ou Renato Russo.
Concurso
A Secretaria da Cultura do estado de São Paulo lançou um concurso para
escolher o projeto de restauro do Casarão Franco de Mello, futura sede
do Museu da Diversidade Sexual, na Avenida Paulista. O contemplado
receberá um prêmio no valor de R$ 1,1 milhão.
O edital foi publicado do Diário Oficial e o prazo para receber os
projetos vai até o dia 20 de outubro. “Eles serão analisados por uma
comissão do próprio Condephaat”, órgão pode aprovar do jeito que está ou
sugerir algumas adequações.
Palacete
Construído em 1905, o Palacete Franco de Mello tem 600 metros de área construída.
Tombado pelo Condephaat em 1992, o edifício é, junto com a Casa das
Rosas, um dos últimos casarões da primeira fase de ocupação da Avenida
Paulista, no final do século 19.
O imóvel possui um pavimento e um porão alto. Ele é composta por uma
entrada, uma sala de visita reservada, uma sala de visita para a
família, uma sala de jantar grande, uma sala para almoço pequena, 3
quartos e dois banheiros , o que para a época era inovador, pois, não
era comum ter banheiro privativo. A torre da casa servia na época como
um mirante que concedia aos moradores a vista do Vale do Anhangabaú.
Em 1910, o casarão que tinha estilo suíço foi reformado e ampliado
conforme projeto estudado em Paris pelo casal proprietário do imóvel,
Joaquim Franco de Mello e Lavínia Dauntre Salles de Mello, passando para
o estilo francês urbano. Após o alargamento da avenida Paulista foram
supridos 10 metros da frente da casa. Com isso, perdeu-se o jardim , o
prolongamento da escada e um portão.
Meu comentário: Veja bem no que nosso governantes estão investindo! não é para chora?