sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Papa afirma que cachorros vão para o céu

Declaração gera divergência entre teólogos Após ter feito declarações que agradaram aos gays, aos casais não casados e os defensores...
por Jarbas Aragão


Papa afirma que cachorros vão para o céu Papa afirma que cachorros vão para o céu
Declaração gera divergência entre teólogos
Após ter feito declarações que agradaram aos gays, aos casais não casados e os defensores da teoria do Big Bang, o papa Francisco hoje conquistou os donos de cachorros e defensores dos direitos dos animais do mundo todo.
Durante uma aparição pública na Praça de São Pedro, o pontífice tentou consolar um menino que estava triste pela morte de seu cachorro. Francisco que ” um dia veremos nossos animais de novo na eternidade de Cristo. O Paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus”. Isso implica que ele concorda que os cães (e outros animais) vão para o céu.
Assim que divulgada, a declaração foram elogiadas por organizações como a Humane Society e a ONG Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), que comemorou a “mudança” na teologia católica, que historicamente ensina que animais não podem ir para o céu porque não têm alma.
Christine Gutleben, diretora de contato com religiões da Humane Society, maior organização de proteção aos animais nos Estados Unidos, estava surpresa. “Minha caixa de e-mails lotou. Quase imediatamente, todo mundo começou a falar no assunto”, conta. Ela acredita que a declaração terá enormes consequências. “Se o papa quis dizer que todos os animais vão para o céu, a implicação é a de que os animais têm alma”, afirmou. “Se isso é verdade, então deveríamos começar a refletir seriamente sobre como os tratamos. Precisamos admitir que eles são seres conscientes, e que significam algo para Deus”.
Sarah Withrow King, diretora para relacionamento com organizações cristãs da PETA, conhecida por campanhas contra o abate de animais, enfatizou que as declarações papais confirmavam o relato bíblico do paraíso como lugar pacífico e amoroso. Isso “poderia influenciar os hábitos alimentares, afastando os católicos do consumo de carne”, comemora.
Já Charles Camosy, escritor e professor de ética cristã na Universidade Fordham acredita que isso irá causar um amplo debate entre os teólogos, mas seria bom lembrar que Franciso falou “em linguagem pastoral, e não de forma a ser dissecado pelos acadêmicos”.
Alguns comentaristas lembram que Jorge Bergoglio, um bispo jesuíta argentino, escolheu seu nome pontifical para homenagear São Francisco de Assis, chamado de “santo padroeiro dos animais”.
Teólogos ligados ao Vaticano já se pronunciaram, explicando que Francisco não fez uma afirmação de doutrina. O debate sobre se os animais poderiam ir para o céu é bastante antigo. O papa Pio IX (1846 a 1878), criador da doutrina da infalibilidade papal (em 1854), argumentava que cachorros e outros animais não têm consciência. Por isso, tentou impedir a fundação de uma divisão italiana da Sociedade pela Prevenção da Crueldade contra os Animais.
Na década de 1990, o papa João Paulo II proclamou que os animais têm almas e “estão tão perto de Deus quanto o homem”. Seu substituto, Bento 16, rejeitou essa visão em um sermão de 2008, quando afirmou que quando um animal morre, “isso significa o fim de sua existência na terra”. Assim, Francisco contraria seu antecessor mais uma vez, retomando o argumento de 20 anos atrás, mostrando como o Vaticano pode mudar de opinião com o passar do tempo.

GOAPELPRIME

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Deputados pautam votação do Estatuto da Família

 

 Comissão especial tem duas sessões marcadas para analisar o substitutivo que veta a adoção de crianças por casais gays. Como parlamentares contrários ao texto devem pedir vista, análise pode ficar para a próxima semana


Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Fonseca vai apresentar o relatório sobre as emendas nesta semana
A comissão especial do Estatuto da Família marcou duas sessões, uma para amanhã (9) e outra para quarta-feira (10), para tentar votar o substitutivo do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) antes do recesso parlamentar. De acordo com o texto apresentado, família é definida como o casamento ou união estável entre homens e mulheres e seus descendentes. Além disso, o direito da adoção de crianças por casais gays, não previsto na legislação atual e que vem sendo garantido pela Justiça do país, pode acabar. Marcar duas reuniões para esta semana é uma forma de se precaver no meio de uma semana que promete ser tumultuada na Câmara. Amanhã deputados e senadores devem se reunir às 12h para encerrar a votação do projeto que altera a meta fiscal de 2014. Mesmo com apenas um destaque em aberto, a oposição vai obstruir os trabalhos, o que pode gerar um efeito cascata, já que nenhuma outra votação pode ocorrer enquanto o Congresso estiver reunido. Já na quarta foi marcada a apreciação do processo de cassação do deputado André Vargas (sem partido-PR).
Ainda há o temor generalizado que o quorum nesta semana seja baixo por conta de viagens oficiais, de deputados não reeleitos que não comparecem ao Congresso e também pela insatisfação na base aliada. Mesmo assim, Ronaldo Fonseca trabalha para apresentar o relatório final amanhã. Ele terá que se manifestar sobre 11 emendas apresentadas pela deputada Érika Kokay (PT-DF) que mudam a redação do substitutivo. Entre as sugestões da petista, uma delas coloca no Estatuto da Criança e do Adolescente a permissão para casais do mesmo sexo adotarem crianças.
A expectativa é que relator rejeite todas as emendas, deixando o texto pronto para votação ainda nesta semana. No entanto, Érika e as deputadas que são contrárias ao substitutivo, como Iara Bernardi (PT-SP) e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), prometem pedir vista do texto. Como deverá ser concedido um pedido coletivo, a proposta poderia ser analisada na semana que vem, a última do semestre legislativo, normalmente reservada para a discussão da Lei Orçamentária Anual (LOA).

Fonte UOL.