sábado, 13 de julho de 2013

Uma exposição sobre a tolerância e a intolerância

Uma exposição sobre a tolerância e a intolerância Sou cristão, defensor do modelo tradicional de família, contrário ao aborto e me posiciono, em geral, a favor de Israel. Expresso minhas opiniões sobre esses assuntos de maneira objetiva, contundente e, às vezes, irônica. Mas não tenho a mínima pretensão de obrigar as pessoas a pensarem como eu. Também não me importo que elas sejam contrárias às minhas posições, a menos que sejam hostis, desrespeitosas, intolerantes e me obriguem a interromper o diálogo com elas. Por que os defensores do modelo tradicional de família são inimigos dos gays? E por que estes são inimigos daqueles? Por que os ateus são inimigos dos cristãos? Por que o defensor da vida humana embrionária é inimigo dos que desejam a legalização do aborto? Por que a pessoa israelense ou pró-Israel é inimiga dos muçulmanos ou dos que defendem sua ideologia? Assisti, há poucos dias, a um documentário que mostrou o caso de uma mulher bomba palestina que, ao ficar presa em Israel, passou a conviver com mulheres israelenses e a entender que elas não são suas inimigas em razão de terem abraçado uma religião diferente da sua. Ela continua seguindo ao islamismo, mas não vê os judeus como inimigos. Uma grande lição de tolerância! Pode um defensor de Israel passar a defender os palestinos? Sem dúvidas. E um ateu, pode tornar-se cristão? Assim como um cristão pode tornar-se ateu. Pode um defensor do aborto tornar-se defensor da vida intra-uterina, em qualquer estágio dessa vida? Sim. E, da mesma forma, um defensor da vida pode se tornar um abortista de carteirinha. Do mesmo modo, pode um gay tornar-se heterossexual? Claro que sim! Não foi isso que aconteceu com o meu amigo João Carlos Xavier? Procure saber sobre ele no Google. Pode um heterossexual tornar-se gay? Sim! Não foi isso que aconteceu com Daniela Mercury? Pode um heterossexual tornar-se homossexual, voltar a ser heterossexual e, depois, tornar-se gay de novo? Por que não? Não foi isso que aconteceu com a pregadora Lanna Holder, que viajou pelo mundo dizendo que fora liberta da homossexualidade, vendeu muitos vídeos com o seu testemunho, e agora defende vigorosamente o casamento gay? Em algumas nações e sociedades, as ideologias e práticas de alguns grupos vão prevalecer, em detrimento das de outros. E, mesmo assim, as pessoas continuarão a divergir umas das outras, mesmo que paguem com as próprias vidas. Sempre haverá, no mundo, heterossexuais e homossexuais, cristãos e ateus, defensores do embrião e defensores do aborto, pessoas pró-Israel e pró-mundo árabe. E assim por diante. Guerras e conflitos existem quando os homens são incapazes de manter o diálogo, de expor sua opinião livremente e protestar, ainda que de modo provocativo, contra opiniões que consideram absurdas ou incoerentes. Lembro-me de uma personagem do filme O Jardineiro Fiel, uma militante que protestou com ironia contra as ações do governo inglês na África. Um funcionário do governo, um diplomata, em vez de irritar-se com ela, ficou desconcertado e iniciou um diálogo com a jovem. Bem, eles acabaram casando! E, durante o filme, ele se convence de que ela estava com a razão! Risos. Em resumo, as opiniões podem mudar, por mais extremistas que possam parecer aos grupos que se lhes opõem. O que é mais difícil de mudar — paradoxalmente — é a intolerância humana, a sua incapacidade de aceitar que pessoas podem manifestar-se, respeitosa e livremente, contra tudo aquilo de que discordam. O que nos é vedado é a ofensa, o menosprezo àqueles de quem discordamos, etc. Concluo, pois, este texto para reflexão com duas frases que muito aprecio: "Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar alguém (...) Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver: cadeia, forca, exílio" (Monteiro Lobato, Carta a João Palma Neto, São Paulo, 24/1/1948). "Sempre haverá pessoas que nos amarão pelo que somos. Mas sempre existirá alguém que nos odiará e/ou invejará pelo mesmo motivo" (autor desconhecido). Ciro Sanches Zibordi
Fonte: CPADNEWS

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