10/06/2013 14:55
Preconceito e discriminação na grande mídia
A imprensa brasileira é evangelicofóbica?
No caput do art. 5º. da Constituição Federal
está escrito que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza”. Que coisa linda! No Brasil, ninguém pode ser
discriminado, certo? O negro e o branco são iguais perante a lei. O gay e
o não-gay não podem ser discriminados. O católico e o evangélico devem
ser respeitados. E assim por diante. Certo? Mas, em que consiste a
discriminação? O que é, de fato, discriminar? Discriminação e
preconceito são a mesma coisa?
Segundo o Dicionário de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas,
o que caracteriza o preconceito é o julgamento prévio de uma pessoa com
base no estereótipo. O preconceito abarca “atitudes negativas,
desfavoráveis, para com um grupo ou seus componentes individuais. É
caracterizado por crenças estereotipadas, mas ninguém nasce com
preconceitos; daí precisarmos estar muito atentos quando formos proferir
julgamentos sobre uma pessoa, uma ideia ou sobre uma crença”.
E a discriminação, o que é? Ela está de mãos dadas com o preconceito,
mas é mais grave e consiste em uma conduta imprópria — quer agindo, quer
omitindo-se (ou omitindo informações) —, a qual resulta em violação dos
direitos das pessoas. Pela Constituição Federal, a discriminação pode
ser com base em raça, sexo, idade, estado civil, deficiência física ou
mental, opção religiosa e outros. Ou seja, há discriminação contra
mulheres, crianças, adolescentes, portadores de deficiência, idosos,
religiosos, estrangeiros, pessoas que defendem certas convicções
filosóficas e políticas, que trabalham em determinadas profissões, etc.
Citarei três exemplos para demonstrar como se praticam o preconceito e a
discriminação na grande mídia. Há poucos dias, a cantora Daniela
Mercury resolveu assumir a sua homossexualidade, o que é um direito que
lhe assiste. Ela pode ser o que ela quiser, e eu não tenho nada a ver
com isso. Certo? Mas veja o que aconteceu: a grande mídia dedicou grande
espaço ao assunto, como se a cantora tivesse tomado a decisão mais
importante e exemplar de sua vida. Outras questões ficaram em segundo
plano nos principais portais de notícia. Durante vários dias, quem abria
o jornal encontrava alguma menção à decisão da cantora, e nos
principais sites houve destaque especial para o beijo entre Daniela e
sua parceira na Parada Gay, em São Paulo.
Bem, imagina o que teria acontecido se Daniela Mercury tivesse se
tornado uma evangélica! Será que o Fantástico se interessaria em
divulgar isso com tanto destaque? Haveria o mesmo espaço na grande mídia
para tratar do assunto? Eu me arrisco a dizer que não haveria destaque
e, além disso, a partir do momento em que ela tornasse pública a decisão
de ser evangélica, passaria a contar com a antipatia da grande mídia.
Os outros dois exemplos são a prisão do pastor Marcos Pereira, do Rio
de Janeiro, e as marchas ocorridas recentemente no Rio de Janeiro, em
São Paulo e em Brasília. Se Marcos Pereira é criminoso, que pague por
isso. Mas o espaço que se deu a esse fato negativo ligado à fé
evangélica foi desproporcional. Se é tão importante divulgar os crimes
de um pastor, por que não é igualmente relevante dar ênfase ao trabalho
social que as igrejas evangélicas realizam? Por outro lado, se um líder
do ativismo gay fosse preso, recebendo as mesmas acusações do pastor, o
assunto teria recebido tanto destaque. Desconfio que não.
Quanto às marchas, tivemos no Rio de Janeiro uma grande Marcha para
Jesus. Centenas de milhares de evangélicos fizeram uma manifestação pela
qual defenderam valores que consideram importantes. A grande mídia
pouco divulgou isso. Já a Parada Gay, em São Paulo, que contou com um
número menor de participantes, teve transmissão online. Na semana
passada, houve, em dia de trabalho, uma grande concentração evangélica e
católica em Brasília. Quem a divulgou? Não vi nada na grande mídia. Até
Reinaldo Azevedo, jornalista da Veja,
protestou contra essa forma de discriminação. E, para evidenciar mais
isso ainda mais, a Marcha da Maconha, em São Paulo, com menos de dois
mil presentes, recebeu maior destaque que todas as marchas evangélicas!
Uma imprensa que diz lutar contra o preconceito e a discriminação deve
tratar a todos com igualdade e respeito. Por que ser gay ou defensor da
maconha é mais relevante que ser evangélico? Onde está a neutralidade da
imprensa? Se para muitos é relevante divulgar que Daniela Mercury agora
é gay, que isso seja noticiado. Não há problema nisso. Por outro lado,
se para muitos outros é relevante noticiar que um cantor agora é
evangélico, que isso seja divulgado, também, e com o mesmo destaque. Ou
será que a grande mídia, que fala tanto em homofobia, é
evangelicofóbica?
Ciro Sanches Zibordi
Fonte CPADNEWS
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